segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Manuseio com agrotóxicos “pode” interferir em suicídio

O impacto do uso de defensivos agrícolas na saúde mental do trabalhador que manuseia essas substâncias ainda é pouco conhecido. Como forma de alertar a população sobre os perigos, o Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador, em parceria com a Associação dos Municípios da área Mineira da Sudene, realizou neste mês um seminário em Montes Claros.
“A exposição rápida ou prolongada de agricultores aos pesticidas pode causar neuropatias e distúrbios psíquicos que se não tratados podem levar ao suicídio”, diz Thereza Christina Silveira, especialista em enfermagem do trabalho. De acordo com a enfermeira, ainda não há dados específicos relacionados ao Norte de Minas, mas estudos feitos no Mato Grosso do Sul e na cidade mineira de Luz constatam que o suicídio entre agricultores é maior do que a média geral da população, o que gera bastante preocupação com o tema.
“Temos políticas públicas voltadas para a legislação de venda, devolução de vasilhame e outras situações, mas precisamos de políticas mais assertivas que cobrem uma maior fiscalização”, alertou.
A professora de saúde mental e coletiva da Unimontes, Rosângela Silveira, alerta que o maior problema está relacionado à falta de dados. “Tem que haver uma sensibilização dos médicos que fazem o atestado de óbito. A subnotificação dificulta fazer um estudo epidemiológico na população e este é um complicador”, declarou.

O Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador tem sede em Montes Claros e atende a mais 11 municípios da região. Sabrina Araújo Melo, coordenadora do órgão, destaca que só no primeiro quadrimestre foram atendidos, direta ou indiretamente, mais de três mil trabalhadores.